Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Encomenda o que quiseres. Os filhos saem iguais a si próprios.

Crónica de 04 / 01 / 2018

Talvez tirando os dias de maternidade, e ainda assim não é garantido, todos os outros dias da vida de uma criança serão dias onde alguém (ou alguns...) nos alerta:

Ai cuidado que se fizeres isso ele(a) fica assim ou assado!

  • muito colo? pode ficar mimado!
  • pouco colo? pode ser uma pessoa insensível!
  • amamentar até tarde? pode nunca ser independente!
  • não amamentar? pode nunca sentir vinculação!
  • comer à mão? nunca vai ter maneiras!
  • comer sempre de faca e garfo? Nunca vai ser corajoso!
  • dormir com os pais? nunca vai sair de casa!
  • dormir na sua cama desde cedo? vai ter pesadelos de abandono o resto da vida!
  • usa chucha? vai ter os dentes todos tortos!
  • não usa chucha? vai roer as unhas de certeza!

Enfim. Podia ficar aqui o resto da dia e da noite e quem sabe até da semana ou do mês a listar tudo o que é passível de ser fonte de ansiedade para uma mãe por poder resultar, em nada mais nada menos, que a infelicidade eterna dos seus filhos.

Com o tempo, juro-vos que não percebo... mas o que mais me aprece é que há uma espécie de sarcasmo nas leis universais que levam a que todos nós nos esqueçamos de algo: os putos não são tábuas rasas.

As crianças já nascem com personalidade, como nós nascemos. Vão ser muito parecidos connosco, no que preferíamos que não fossem. E vão ser o oposto de nós, no que queríamos que fossem iguais. As crianças vão ser iguais a si próprias. E tudo o que possamos alterar, nada é do que andamos preocupados enquanto eles são bebés.

Tudo isto para vos dizer que a minha filha, que faz 4 anos neste mês de janeiro, e que passou de usar pouca chucha para usar muito a chucha, o que me fez ouvir vários comentários de alerta para o que o futuro lhe podia guardar, que se pudesse usava sempre a chucha e até já mascava na mesma, essa mesma criança, decidiu, sozinha e sem eu ter de trocar por brinquedos, doces ou outra compensação que certamente também a levaria ao psicologo, essa mesma criança decidiu, de um dia para o outro, largar a chucha. E assim o fez.

Como largou as fraldas.
Ou o biberão.
Largou a chucha.
De um momento para o outro.
Porque decidiu.

E deixem-me dizer-vos desde já o que invejo: esta capacidade de fazer resoluções de ano novo parecerem peanuts. Mas talvez seja a parte teimosa dela. Que eu gosto apenas de chamar determinação <3

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