Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

E pela primeira vez pensei: eu não dou conta do recado.

Crónica de 11 / 01 / 2018

Tenho andado cansada. Mesmo muito cansada.

Voltar a trabalhar depois de 4 anos. Um trabalho de muita responsabilidade e exigência.

Mudar de casa e de país com uma filha pequena. Fazê-la sentir-se em casa. Em casa na escola. Em casa com a mãe. Em casa num mundo todo novo.

Arranjar uma escola nova porque a escola fechou para férias. Escola nova esta que precisa que mande almoço. Escola nova esta de onde ela agora não quer sair.

Conseguir descansar do trabalho e de ser mãe.

Conseguir manter a vida a fluir, pois a comida ainda não ganhou asas para ir para ao meu frigorifico por pensamento. Muito menos aparecer cozinhada.

Sentir todas as dores físicas de quem está a acumular toda esta tensão e não consegue desanuviar.

Ontem, pela primeira vez, pensei: eu não estou a dar conta do recado.

Tive ali uns minutos que ouvia os curto-circuitos no meu cérebro. Ouvia-me a não conseguir ouvir os meus próprios pensamentos.

Sem saber de nada, ela vira-se para o lado, a dormir, e abraça-me.

E eu só pensei: porra aquela lamechice que mãe consegue tudo porque amor de mãe é infinito é mesmo verdade. Alguém devia estudar isto.

Fechei os olhos e adormeci, descansada. Ninguém disse que ia ser fácil. Apenas que era possível faze-lo. E, quando parecer que não é, liga o botão amor de mãe.

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