Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

As tontas que dão ouvidos aos filhos

Crónica de 23 / 01 / 2018

Andei, durante umas semanas, apoquentada por uma decisão que tinha de tomar.

Logicamente não fazia sentido alterar nada. A minha filha dizia-me que queria alterar tudo.

Mas que raio de mãe sem mão na catraia! Sabe lá a miúda o que é melhor para ela?! Diziam alguns, pensavam outros tantos.

Mas algo me dizia que, nesta cena de ser mãe, a chave está em saberes ouvir os teus filhos, tenham eles 1 mês, 10 anos ou 40: o que te estão eles a dizer sobre as suas necessidades?

Adivinhar porque chorar um bebé.
Adivinhar quando está doente uma criança.
Adivinhar o que te está a dizer uma menina de 3 anos quando diz que quer ou não quer algo.

É verdade que os tempos modernos estão cheios de conceitos fofo-intelectuais da parentalidade, que muitos acham que mais se fala do que se faz, que antigamente à chapada é que era, ou que o mundo está perdido pois estamos a criar uma geração de vândalos. Versus aqueles que acham que basta acender um incenso, ou esperar que passe a birra, ou que as crianças que batem e mordem, coitadinhas, um dia deixarão de o fazer. Nisto da parentalidade, o menu é vasto e completo e há gostos para tudo! Inclusivamente para se achar que uma mãe que dá ouvidos a uma catraia de 3 anos é uma mãe que está para sempre perdida nas mãos da sua pequena ditadora.

Mas o que é mesmo, mesmo verdade é que uma mãe, desde que tem algo do tamanho de um perdigoto na sua barriga, tem de adivinhar. Adivinhar o que está a acontecer ao seu corpo, adivinhar o que está a acontecer dentro de si, porque o sangue corre tão depressa, porque as pernas incham, adivinhar porque se deixa de gostar de comidas e se passa a adorar outras, adivinhar porque se chora tanto, ou quando começou o parto, adivinhar porque a criança chora, adivinhar porque ela tem febre, adivinhar porque não dorme ou porque dorme tanto, adivinhar, adivinhar, adivinhar!

Ser mãe é tanto adivinhar como ser bruxa ou vidente. Com a diferença que os nossos clientes, voltam mesmo estando insatisfeitos. E voltam ainda com mais adivinhas para nós.

Ser mãe é tanto adivinhar que, adivinhar porque a minha filha queria que tudo fosse diferente e não igual, mais do que adivinhar o que quer que fosse, era decidir se a deixava ser dona da sua opção, ser fiel à sua intuição, era decidir se respeitava a minha filha como uma pessoa, concordasse eu ou não.

E ai não há nada a adivinhar, apenas uma opção a tomar: a de deixar que ela escolha o que a faz feliz ou não. E essa decisão não é só válida para os 3 anos. É uma decisão para a vida.

Mais Crónicas:

-->