Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Gerir emoções. As dela. E as minhas.

Crónica de 25 / 01 / 2018

Gerir emoções é, na verdade, uma frase que não diz nada.

Porque para um gestor ela fala de gerir, para alguém mais emocional, fala de um coração palpitante.

Eu sou a segunda. A pessoa emocional. Que tem nas emoções tsunamis e não ondinhas de caca. A pessoa que dá muita importância a tudo, sem nunca levar nada muito a sério.

Eu sou aquela que, às vezes, ao meio dia já tive mais emoções do que um autocarro cheio de pessoas.

Tudo o que me tem acontecido nos últimos anos, desemprego, separação, mudar de país, tem-me deixado ainda mais á mercê de todas estas emoções.

Vai dar certo? E se não dá? estou a fazer a coisa certa? e se não estou? consigo sozinha? E se não consigo? Uma canseira, é o que vos digo.

Muitas das vezes fui abalroada por estas emoções. Tudo era muito! Tudo era cheio! Tudo parecia demais.

O cansaço, o stress, a preocupação, a ansiedade, o medo, muitas vezes geriram as minhas acções. Como pessoa e como mãe.

Uma birra da Clara às 10 da noite. Uma noite de tosse a seguir a uma de febre. Um copo partido depois da cozinha estar arrumada. Uma mãe à mercê das suas emoções. Felizmente consciente disso.

A minha filha é igual a mim. O que me tem obrigado a perceber que as emoções podem e devem ser geridas sim, sem que isto tenha nada de gestão, finanças ou calculo:as emoções podem ser geridas para não sermos consumidas por elas.

Nem sempre foi fácil, dizer à minha filha que não valia a pena chatear-se com a torre de legos destruída, quando teu estava fula por o carteiro ter tocado 3 vezes enquanto eu a tentava adormecer.

Ou explicar-lhe que não era preciso chorar por não ver 10 vezes a patrulha pata, quando eu estava fula por a porcaria do episódio do This is Us não ter dado.

Nem sempre foi fácil. Mas tem sido, sem sombra de dúvida, dos desafios mais interessantes da minha vida: aprender a gerir as emoções. Aprender a olhar para as emoções, do lado de fora, e observá-las como se observa um passado, um por-do-sol ou um cocó na sanita: observar. Só observar.

Nestes últimos dias as emoções dela têm estado ao rubro. E eu lembrei-me muito da minha Cátia, a educadora da Clara, quando me mandou embora da escola porque a Clara chorava por mim:

*A Patrícia está a alimentar isto. Vá-se embora e ela da próxima já não chora.*

Nestes últimos dias, percebi perfeitamente o que ela queria dizer com isso: os sentimentos não se abraçam todos, os maus mandamos embora e dizemos que não têm espaço na nossa vida. Abraçamos os outros, os bons. E nesses ficamos. Aos maus, mandamos pia abaixo. Como um cocó que acabamos de observar. Para assim podermos ir saborear o por-do-sol

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