Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Olhei para o lado e... ninguém! Ninguém como eu!

Crónica de 14 / 02 / 2018

Fomos com uns amigos passar o fim-de-semana fora.

Um sítio espectacular, com casinhas em cima da praia, com deck para cima da praia, umas seguidas às outras com famílias e crianças.

O sítio era para lá de perfeito, com um mar que não passava dos joelhos das crianças e podíamos, todos - pais e crianças! - relaxar no paraíso.

Não sei vocês, mas eu sou dada à conversa! Com vizinhos, estranhos, o carteiro ou o homem do talho. Pelo que rapidamente fiz amizade com os vizinhos, e fiz um balde de pipocas para a Clara partilhar com as crianças.

Palmas e mais palmas! Batiam palmas!

A casa do lado chamou umas quantas outras crianças da outra casa do lado e, de repetene, os meus vizinhos acolheram todas estas crianças, ao redor do seu bolo e das minhas pipocas.

Esta era uma familia muçulmana turca. E foi a segunda casa que conheci. A primeira foi de uns americanos que não acharam tanta piada a ter outras crianças.

A família turca, para agradecer, trouxe-nos chá e bolo. As crianças moçambicanas que comiam pipocas felizes, ligaram o radio e começaram a dançar.

No dia seguinte, acordada ainda antes das galinhas que é o que dá ter uma criança, vou para a praia e cruzado-nos com outra mãe e criança. Percebo mais tarde que também eles muçulmanos mas estes moçambicanos.

Começou a chover. E recolhemos a casa. Até o sol voltar.

Quando a minha filha saiu disparada por ver mais crianças na praia: 4 crianças, 2 irmos brasileiras, 2 irmãos indianos moçambicanos. Brincaram a tarde toda.

Ou, pelo menos, até ela se juntar, sozinha, a nadar com a família turca a quem chamava a senhora mais velha de avó.

A Clara perguntou-se apenas se aquele era o fato de banho da senhora, o seu burkini. Eu disse que sim e ela nada mais questionou.

Fiquei ali a pensar naquele pequeno mundo perfeito. Naquele pequeno mundo onde, não havia ninguém como eu. Éramos todos diferentes. Ainda assim, todos iguais.

Fiquei ali a pensar que, de tudo o que às vezes possa sentir falta, acrescentei algo à minha vida que será para sempre impagável: o convívio com a diversidade.

E se o sonho comanda a vida, senti nesse dia estar mais perto de um mundo onde a minha filha conviverá com pessoas totalmente diferentes dela. Como iguais.

E posso-vos dizer que há poucas coisas tão perfeitas como ter este pensamento, à beira-mar, a beber um copo de vinho branco ;)

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