Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

Todas as dúvidas de mãe tem a resposta na mãe.

Crónica de 20 / 02 / 2018

As crianças são difíceis.
Fazem birras e batem o pé.
Choram e gritam.

As crianças envergonham-nos em público.
E as crianças conhecem o verbo desarrumar apesar de desconhecerem o arrumar.

As crianças nunca querem o que tem no prato.
Mas querem sempre algo que não temos em casa.

As crianças nunca querem acordar.
Nem ir para a escola.
Muito menos vir da escola.
Ou ir dormir.

As crianças querem sombra no verão.
E sol no inverno.

Querem gelados em dezembro.
e lareiras em Agosto.

Assim são as crianças: exigentes, complexas, barulhentas. Assim são as crianças e é mesmo assim que devem ser: crianças. Tudo o que pode dificultar este processo somos nós, adultos. Por sermos assim, exigentes, complexos, barulhentos.

As birras das crianças incomodam-nos quando algo na nossa vida nos está já a incomodar.

O barulho das crianças é demasiado quando algum outro problema já nos cria ruído a mais dentro de nós.

Os castigos. As reacções. O grito. A palmada. Tudo isso é reflexo nosso. De quem somos. De onde estamos. E do que está a acontecer à nossa volta nesse determinado momento.

As crianças são difíceis.
Fazem birras e batem o pé.
Choram e gritam.

E nós se pudéssemos também.

Porque ser adulto não é fácil. Mas quando nos esquecemos disso, e tentamos ser perfeitos, ficamos hirtes. Incapazes de olhar para dentro.

E tudo o que vemos é a birra deles. Em vez de repararmos na birra que está a acontecer dentro de nós. E que só queríamos que alguém, de fora, nos abraçasse e fizesse tudo passar. Tal como as crianças.

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