Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Nós, mulheres, somos mais frágeis. E por isso somos mais fortes.

Crónica de 27 / 02 / 2018

Há momentos na nossa vida que percebemos que todas as dificuldades que passamos, foi simplesmente para a vida nos levar a um sítio melhor. Assim uma espécie de estrada esburacada que leva a uma belíssima praia.

Tem sito essa a minha sensação: que todos estes novos desafios, me levam a um sítio que nunca lá chegaria.

Estes desafios mostram-me acima de tudo que nos, mulheres, somos mais frágeis. Vejo isso nas histórias das raparigas com quem trabalho, forçadas a casar aos 13 anos. Ou na auxiliar da escola da minha filha que tem medo quando um homem me lança um piropo à sua frente por ter 1,5m. E seguramente porque alguém já lhe fez mal.

Vejo esta fragilidade também em mim, onde agora, apesar de ter um trabalho, tenho de assegurar almoço, lanches e jantar, conduzir quilômetros de ida e volta, tratar de seguro do carro e de saude, ir ao supermercado, fazer legos ou desenhar balões com pernas.

Vejo esta fragilidade em mim. A fragilidade de quem não está num pedestal. Estando na mesma num pedestal. De quem tem de se esforçar. Sendo ainda assim privilegiada. Vejo esta fragilidade em mim e penso: não a trocava por nada.

Todas as mulheres no mundo que contornam a sua história, fazem-no contrariando a estatística. Fazem-no por coragem e força de vontade. Fazem-no porque dentro de si, encontram a força que não têm cá fora.

Penso em todas as mulheres e raparigas. Com um metro e meio de tamanho. Mas três metros de alma. Penso em todas estas mulheres e raparigas que, olhando para o futuro, se lançam sem medos. Mesmo sabendo que são elas o elo mais fraco.

Penso em todas nós, mulheres, naturalmente mais frágeis. E, exactamente por isso, muito mais fortes.

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