Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Qual criança à espera de um doce.

Crónica de 28 / 02 / 2018

Qual criança à espera de um doce, todos os dias me regozijo com a hora de saída do trabalho.

Atenção, eu adoro, para não dizer amo, o meu trabalho.

Mas ele é o que faço, não o que eu sou.

E por isso, todos os dias quando se aproxima a hora do fim, a minha alma fica feliz ao lembrar o abraço daquela de quem vou ao encontro: a minha filha.

Vou, mesmo que ainda com alguns pensamentos de trabalho, ao encontro dela, desejosa de a abraçar, de matar as saudades que separam o ultimo momento que fui mãe: o momento que a deixei na escola.

Deixo-a na escola e visto a roupa de mulher de trabalho, de saltos, maquilhagem e voz alta o suficiente para mostrar que não tem dúvidas nas decisões que toma.

Pelo menos até chegar a casa, tirar os saltos e vestir uns calções rotos, ajoelhar-se à altura do metro e dez da minha filha, e voltar ao encontro de mim própria.

Já se lia no Principezinho que é esta previsibilidade de reencontros, esta certeza do que vem depois da espera que mais define o amor.

E por isso mesmo adoro o tempo que me leva a chegar a ela. Como adoro os meus cabelos brancos por baixo da pintura. Adoro tudo o que sou, especialmente o que não se vê a olho nu.

No outro dia partilhava com uma amiga recente o facto de que, quando me separei, nem o cabelo pude pintar durante 3 meses por falta de dinheiro.

Ela olhava para mim, impressionada, por não se adivinhar esse desapego nas minhas actuais unhas vermelhas, madeixas loiras ou saltos atrevidamente altos.

Por fora, eu já fui muitas coisas. Por dentro, fui sempre a mesma: alguém à procura de ser feliz, da maneira mais simples possível. Com todas as complicações que isso tem.

A verdade é essa: o importante não é visível a olho nu. nunca
Como não é o facto do momento mais alto do dia ser o momento que vou buscar a minha filha. Aquele momento que antecede a rara certeza que ali não há duvidas: ali há "só" o maior amor da tua vida.

(disclamer: é possível que meia hora depois de a ter ido buscar já me esteja a chatear pelas nódoas de manteiga de amendoim no sofá. Mas até lá... oh até lá, eu sou a mais feliz pessoa do mundo :))

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