Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Se à tarde a quero beijar, de manhã só me apetece gritar.

Crónica de 01 / 03 / 2018

Vem-me sempre à cabeça o filme dos gremlins, dos anos 80.

Vem-me sempre à cabeça aquela imagem de um ser tão mas tão fofo, que chegava a ser o cumulo da fofice.

Vem-me sempre à cabeça aquela imagem de um ser tão mas tão fofo, que de repente se transformava num monstro horroroso, capaz de destruir este mundo e o outro.

Vem-me sempre à cabeça esta imagem, todos os dias. Todos. Todas as manhã.

Sobra-me somente a dúvida de perceber se o gremlin sou ela, é ela, ou somos "ambas as duas".

Pois que se à tarde corro para casa para os braços dela, na manhã seguinte, eu já só corro é atrás dela.

Hoje éramos 3 (TRÊS!) pessoas atras dela para a convencer a vestir. Lá sai a ameaça (aos gritos, claro!) de um rabo aquecido se ela não para de fugir.

Depois repete-se a dinamica circense para tentar.

E ainda para lavar os dentes.

Mais uns 10 minutos para se calçar.

E eu, qual vitima indefesa de um gremlin em alvoroço, já eu própria, qui ça, um gremlin alvoraçado, levanto a voz para tentar acelerar o processo, acelero o passo para tentar movimentar o ser, e, invariavelmente, me esqueço que passadas umas horas vou estar cheia de saudades dela. Aliás, naquele momento eu só quero gerir e livrar-me do gremlin. Tirando-o de casa.

Chegámos à escola e dou-lhe sempre um beijo apertado. O fim está proximo e eu sei que o gremlin vira animal fofo e dócil quando vê a mãe pelas costas.

Eventualmente também ela sabe que sentirá saudades minhas. Até que eu vire novamente gremlin, a correr atrás dela, de manhã, na tentativa monstruosa de a vestir e levar para a escola a horas...

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