Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

"E tu filha, o que achas?" (Ou o estranho caso das mães que dão ouvidos aos filhos.)

Crónica de 06 / 03 / 2018

Recentemente tive um grande dilema: a Clara queria mudar de escola, depois da escola que conhecia à pouco tempo fechar para férias e ela frequentar uma escola nova nesse tempo.

Mamã quero ir para a escola nova! dizia ela.

Não tem direito de escolha! Diziam uns.

Vai tornar a tua vida muito mais difícil! diziam outros.

Mamã quero ir para a escola nova! repetia ela. O que te diz o coração? Perguntaram-me algumas pessoas.

O meu coração dizia-me para ouvir a minha filha. Sim, o meu coração dizia-me para ser a mãe idiota que acha que a opinião de uma criança de quase 4 anos (na altura) é válida.

Sim, o meu coração dizia-me que era importante ouvir e respeitar a opinião da minha filha. Para ela saber que a opinião dela conta. O que a torna também responsável pela sua decisão.

Andei noites sem dormir. Angustiada. Cansada. À nora. A tentar voltar à vida que tinha funcionado uns tempos. Mas todos os dias ela repetia: Mamã quero ir para a escola nova! dizia ela.

Por coincidência ou não, duas das pessoas que me disseram para seguir o meu coração trabalham com crianças. E, por isso, mais que uma opinião bonita de relatar, a sua opinião tem validade.

Um dia decidi: aquilo que o meu coração me diz é que eu quero ser a mãe que ouve o coração da minha filha. E assim foi.

Ontem lembrei-me desta história quando ela, apesar de ter largado a chucha há 4 meses, me disse que sentia saudades da chucha e por isso metia o dedo na boca.

Rezei a todos os santinhos, anjos e malta que fosse fazer favores celestiais mas perguntei: Clara queres a tu chucha de volta?

Ela disse que sim. E eu, que a havia guardado para emergências, dei-lha como quem já está a tão alta velocidade que não pode travar mas apenas fechar os olhos.

Toma mamãe. Devolveu-ma ela. Afinal não a quero.

Voltei a respirar. É que este estranho caso das mães que dão ouvidos aos filhos tem, às vezes, este desfecho curioso: os teus filhos mostrarem-te que, mesmo sozinhos, eles tomam as melhores decisões possíveis.

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