Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Chegou o dia porque tanto esperei.

Crónica de 16 / 03 / 2018

Para uma criança parece ser um pouco indiferente se os pais chegam cansados a casa.

Se passaram o dia de pé, sentados ou a correr. Se passarm o dia a trabalhar ou em lazer. A criançada não está nem aí: o fim do dia é o início de toda uma nova temporada: a temporada onde se quer atenção dos pais!

Ora eu, mãe sozinha, o máximo que posso dizer é vai atazanar agora os piriquitos um bocado para a mãe respirar 5 minutos mas por alguma razão ela não está nem aí para atazanar os piriquitos e fizer isto ainda é capaz de aumentar a demanda de atenção.

Posto o que, como dizia a minha chefe ontem, eu tenho dois trabalhos, que exerço em turnos seguidos, e quando toca o sino para sair de um, toca, em simultâneo o sino para começar, com todo o vigor (possível...) o outro.

Estou farta de me queixar mas vou continuar a faze-lo: têm sido tempos muito exigentes estes, num país que não é para meninos, e ainda menos para meninas grandes! (Porque as pequenas safam-se bem!)

Correr de manhã para sairmos de casa a tempo com tudo pronto. Correr para a escola. Correr para o trabalho. Correr para sair do trabalho. Correr para casa. Para chegar a casa com vontade de fazer de esfregona do chão. Apesar da minha filha achar mais piada que eu faça de bailarina electrica.

Ontem aconteceu algo engraçado. Ontem chegou o dia porque tanto esperei.

Depois de ter tido uma crise de saudades da mãe ao me ver na televisão, onde se agarrou à televisão a chorar a dizer que queria a mãe, acredito que essas emoções provocaram nela duas constatações: 1) então é este o trabalho da minha mãe! Afinal faz mesmo mais coisas além de ser mãe! 2) caraças que aqui não parece uma seca... se achar é melhor trata-la bem para ela preferir sempre é brincar comigo e arrumar brinquedos!

E então aconteceu: o dia em que cheguei a casa e ela, adivinhando o cansaço já trago em cima, procurou fazer algo que me divertisse. Procurou vir ao meu encontro e ao das minhas emoções.

O dia em que ela viu a dimensão da minha luta. Da minha luta por ela. E decidiu dar-me também um abraço. E um carinho. E brincar, nem que meia hora, a um jogo da minha escolha.

O dia que a minha filha olhou para mim e viu a pessoa, que está por trás da mulher, que está por trás da mãe.

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